Quem sou eu?
Quintana: "Não sei
o que querem de mim essas árvores
essas velhas esquinas
para ficarem tão minhas só de as olhar um momento."
Quando nossas almas se encontrarão, enfim?
Quintana: "E era como se ela houvesse partido
e logo fosse regressar da viagem...
- até que em nosso coração dorido
a Dor cravava o seu punhal selvagem!"
Se serei esquecida.
Quintana:"É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que,
apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos..."
Quintana é tão delicado...
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"Você ensaia um beijo
Esquece e agradece
Pela paciência
Que eu já não tenho mais
Finge que está tudo bem
Mas não é bem assim
Disfarça o sorriso que um dia
Foi a minha paz
E que agora vem como uma faca afiada
Rasgando a minha alegria
Com raiva, com culpa
Com violência, com medo
Não tente me fazer acreditar que é melhor assim
Eu sei de mim
E nada vai mudar a minha coleção de erros
É assim que se cria monstros
É assim que se destrói castelos"
de Mateus Borba
Já estou um tanto melhor.
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Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
Fernando Pessoa, 18-9-1933
*foto tirada por mim, afinal...
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Sim, curvo-me ante a beleza de ser.
Às vezes, zombo de mim mesmo ao término de uma inteligente e aguçada constatação.
Ermitão do insólito, poeta da dúvida.
Entretanto duvido a dúvida por ser dúvida fruto de uma premissa lógica.
Mas nego, afirmo e não duvido de nada.
Prisioneiro sem grades do silêncio eterno.
Raul Seixas
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